31/08/2010

UMA PEDRA A TAPAR O TÚMULO

Segundo os evangelhos, Jesus foi sepultado no túmulo familiar da família de José de Arimateia. Esse túmulo foi fechado com a ajuda de uma grande pedra redonda. Na Palestina, foram encontrados muitos túmulos deste tipo, datados do tempo dos romanos. Pertencendo a famílias ricas, eles eram talhados na rocha. Depois de terem rolado a pedra, para o que era necessária a força de várias pessoas, o corpo era introduzido num túmulo rectangular. As paredes tinham várias cavidades profundas, os ´loculi´, onde os corpos eram colocados. Um túmulo podia conter entre nove e dezoito destes ´loculi´. Os sepulcros da famílias ricas podiam ser compostos por vários túmulos, com vários ´loculi´cada um e formando uma espécie de catacumba. Foi provavelmente numa sepultura desse tipo que Jesus foi depositado. Se imaginarmos o peso das pedras que fechavam os túmulos, podemos compreender o espanto dos guardas quando constataram que a pedra tinha sido rolada e que o corpo tinha desaparecido. Uma vez que essa acção necessitava da intervenção de várias pessoas, os guardas teriam, necessariamente, de acordar. Esse pormenor confirma indirectamente o aspecto sobrenatural da ´evasão´de Jesus.
Ao longo dos séculos, a localização do túmulo de Cristo foi objecto de infindáveis discussões. Desde o século IV e da época da rainha Helena, mãe do imperador Constantino, a maioria dos cristãos achava que o túmulo de Jesus estava situado perto da Igreja do Santo Sepulcro, construída pelos Cruzados no interior da cidade velha de Jerusalém. No século XIX, os estudiosos deram-se conta de que a Bíblia dizia que o lugar do suplício, o monte Gólgota, era fora da cidade. a Igreja do Santo Sepulcro deixou, portanto, de ser considerada como o lugar onde Jesus tinha sido sepultado.
Numa das suas visitas a Jerusalém, o general Gordon, o herói britânico de Cartoum, notou que um rochedo, no exterior, muito próximo das muralhas, tina a forma de uma caveira. Sabendo que o nome ´Gólgota´ significa ´caveira´, deduziu que aquela colina era o famoso monte Gólgota e que um dos túmulos descobertos nas proximidades devia ser o de Jesus. O túmulo mais notável recebeu o nome de ´túmulo do jardim´. Crentes protestantes preparam ali um jardim, para facilitar a meditação dos peregrinos.
O ´túmulo do jardim é o lugar por excelência para meditar na vida e na morte de Cristo. Mas indícios claros levam à conclusão de que o túmulo é nitidamente mais recente do que a época de Jesus. Por seu lado, o rochedo só recebeu a sua forma de caveira no século XVI da nossa era, quando os turcos talharam pedras nesta região. Podemos, portanto, afirmar com segurança, que este não é o túmulo de Cristo.
Pesquisas arqueológicas feitas na Cidade Velha e nas proximidades da Igreja do Santo Sepulcro demonstraram que, na época de Jesus, este lugar estava fora das muralhas de Jerusalém. Os muros actuais que rodeiam a Igreja foram construídos séculos mais tarde. A maioria dos especialistas está hoje convencida de que o lugar do Santo Sepulcro é realmente o lugar onde estava situado o túmulo de Cristo, ou, pelos menos, nas proximidades.
Hoje, temos praticamente a certeza de que o traçado da Via Dolorosa, estabelecido pelos Cruzados como sendo o trajecto seguido por Jesus desde Pilatos até ao Gólgota, carregando a cruz, não é o correcto. Pilatos não residia na fortaleza Antónia, onde começa a Via Dolorosa, mas num dos outros palácios de Herodes.

3 comentários:

  1. Ele não está alí nem aqui, está vivo dentro de nós. O que interessa, agora, é essa certeza.

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  2. "Ele não está aqui
    Ele está ressucitado"

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