17/11/2010

O REINO DIVIDIDO: A INVASÃO DE SISAQUE.

Infelizmente, dispomos de muito poucos dados arqueológicos concretos relativos à divisão de Israel em duas nações distintas, que ocorreu depois do reinado de Salomão. No entanto, é de salientar a existência de dois estilos diferentes de olaria, no Norte e no Sul do território inicial. Do mesmo modo, desenvolveram-se dois dialectos diferentes, provenientes do hebraico, revelando a separação social e política.
No entanto, a arqueologia confirma apenas as grandes linhas dessa cisão. Não disponde de uma descoberta arqueológica de vulto neste aspecto, dependemos de um grande número de pequenas descobertas que nos dão informações sobres essa época.
No quinto ano do rei Roboão, filho de Salomão, Sisaque, rei do Egipto, invadiu o reino de Judá. Destruiu um certo número de cidades e levou os tesouros do templo (1ª Reis 14:25,26; 2ª Crónicas 12:4). Segundo os arqueólogos, a destruição dessas cidades bíblicas teve lugar por volta do fim do século X a.C. Este período tornou-se um ponto de referencia importante para o estudo das descobertas arqueológicas, de tal maneira são numerosos os vestígios de destruição no conjunto do território de Judá.
Óstraca de Laquis IV
Biblical Archaeology Review,
1984, N. 2, p. 75
Depois da partida de Sisaque, Roboão parece ter fortificado bastante o seu reino. Embora a Bíblia mencione de passagem essa campanha de reconstrução, abundam os dados arqueológicos nesse sentido. Tudo leva a crer que Roboão reconstruiu Laquis de modo magistral. Era uma das cidades mais importantes a sudoeste de Jerusalém. Um grande edifício, semelhante a um palácio, foi construído sobre uma imponente plataforma no centro da cidade. ainda hoje, esta construção é o elemento mais notável deste lugar. Os pesquisadores pensam que se trata do palácio de Roboão, quando ele ia para fora de Jerusalém. Dado que as cidades reais de Hazor, Megido e de Gezer, construídas por Salomão, pertenciam todas a Jeroboão, que reinava sobre o reino do norte, Roboão transformou Laquis na segunda cidade real de Judá. Foram edificadas fortificações impressionantes, entre as quais uma dupla muralha, destinada, provavelmente, a proteger a cidade contra um novo ataque dos egípcios. Com efeito, Laquis estava situada perto da fronteira ocidental do território habitado de Judá. As planícies, situadas um pouco mais a oeste, eram ocupadas pelos filisteus, que se aliavam muitas vezes aos egípcios.
Jeroboão.
Quando Jeroboão se separou da casa de David, com as dez tribos do Norte, teve que ter em conta os adoradores fiéis que continuavam a ir ao templo, em Jerusalém. Eles levavam consigo animais e mercadorias destinados aos sacrifícios, debilitando assim a economia do seu reino em proveito do reino de Judá. Por isso, mandou construir dois templos nas duas extremidades do seu reino: um em Betel, perto de Jerusalém, para acolher os peregrinos que se dirigiam para o templo de Jerusalém, e o outro em Dã, no extremo Norte do país, onde existia já um lugar sagrado (Juízes 18).
No entanto, as escavações feitas em Betel não permitiram encontrar o templo. Mas, em Dã, a expedição israelo-americana descobriu os vestígios do que foi provavelmente um santuário. Na Antiguidade, os visitantes penetravam na cidade de Dã por uma grande porta e atravessavam uma ampla praça onde se erguia uma espécie de pódio sobre o qual o rei ou juiz podiam presidir. Seguindo um caminho monumental, pavimentado com grandes pedras planas (é uma das grandes construções do tempo dos reis de Israel mais bem conservadas entre as encontradas até agora), eles atingiam finalmente o centro da cidade. Em avenida atravessava a cidade de lado a lado e levava igualmente ao recinto do templo. O pátio do templo também era pavimentado com pedras cuidadosamente talhadas. Uma grande escadaria conduzia a um promontório realizado graças a um trabalho de construção notável. Os arqueólogos não descobriram nada sobre esta elevação, embora um templo ou um santuário tivessem provavelmente ocupado esse lugar naquele tempo. Alguns arqueólogos pensam que terá sido um grande altar destinado a sacrifícios em massa. A Bíblia chama a esse altar um “lugar alto”. Seja como for, não resta qualquer dúvida de que foi um lugar sagrado mandado construir por Jeroboão e que a Bíblia menciona em 1ª Reis 12:29. (PARA ENTRAR NO TEMA QUE DÁ SEGUIMENTO A ESTE - CLICAR)

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