25/04/2010

COMO TERÃO CAÍDO OS MUROS DE JERICÓ?

O modo maravilhoso como o povo de Israel, conduzido por Josué, conquistou a cidade de Jericó, continua a excitar a curiosidade dos leitores da Bíblia. O facto é narrado no capítulo 6 do livro de Josué, e aparece situado por volta do ano 1200 a.C., quando os israelitas chegaram à Palestina, a Terra Prometida.
O primeiro obstáculo.
A primeira cidade inimiga que encontraram foi Jericó. Segundo o relato bíblico, era um centro importante e rico (Js 6,24), rodeado por muralhas altas e poderosas (6,5). No seu interior habitavam os cananeus, povo bem apetrechado, com um rei, com serviços secretos de inteligência (Js 2,2), e com um valoroso exército treinado para a guerra. Os israelitas, pelo contrário, eram apenas um bando desorganizado de tribos e clãs que vinham a fugir da escravidão do Egipto.
Antes de eles chegarem, Deus tinha prometido entregar nas sus mãos todo o país, de Norte a Sul e de Este a Oeste. E eis que, logo à chegada, perante as suas reduzidas forças se erguia, como um obstáculo intransponível, a majestosa e soberba Jericó. Como poderiam conquistar todo o país, se a primeira cidade já parecia inconquistável?
A armadilha insólita.
Nesse momento Deus falou a Josué, e explicou-lhe a estratégia que deviam utilizar para vencer Jericó. Tratava-se de um ritual estranho. Durante sete dias, marchariam em círculo, à volta da cidade, levando a Arca da Aliança. Os sacerdotes iriam tocando as trombetas, enquanto o resto do povo os acompanharia com um solene silêncio. Dariam uma volta cada dia e voltariam para o acampamento.
Diz a Bíblia: «No sétimo dia, levantando-se de madrugada, deram sete a volta à cidade, como nos dias precedentes. Foi o único dia em que deram a volta à cidade por sete vezes» (Js 6,15).
Logo a seguir à sétima volta, Josué disse ao povo: «Gritai, porque o Senhor vos entrega a cidade» (6,16).
«Mal o povo escutou o som das trombetas, fez ouvir um grande clamor e as muralhas da cidade desabaram. Os filhos de Israel subiram à cidade, cada um pela brecha que tinha na sua frente, e tomaram a cidade» (6,20).
Assim, mediante esta insólita estratégia sugerida pelo próprio Deus, o povo de Israel exterminou todos os habitantes de Jericó, pegou fogo à cidade e reduziu-a a um monte de escombros e restos calcinados.
A batalha de Jericó aparece como um acontecimento militar chave para o povo de Israel, uma vez que lhe abriu as portas da conquista da Palestina.
Milagre, ou terramoto?
O que aconteceu realmente na batalha de Jericó? Durante séculos, as opiniões dos biblistas estiveram muito divididas. Iam do rotundo “impossível”, até à fé cega num milagre de Deus.
Alguns pensavam num fenómeno natural, isto é, num terramoto que teria ocorrido exactamente nesse dia. Outros afirmavam que as voltas dadas à volta da cidade distraíram os seus defensores, e o alarido de guerra e as trombetas tê-los-iam espantado e perturbado. Outra hipótese defendia que a expressão “muro da cidade” é uma metáfora para designar a “guarda da cidade”, e que dizer «as muralhas desabaram» significa que “os soldados ficaram impotentes” quando os israelitas atacaram. Claro, também houve os que o entendiam como uma intervenção directa de Deus, que derrubou as muralhas de Jericó para favorecer os israelitas.
Quando as pás falam.
Talvez se tivesse continuado a discutir a questão por muito mais tempo, se um achado arqueológico que pusesse ponto final a este debate.
A cidade de Jericó foi descoberta em 1868, numa localidade chamada pelos árabes Tel es-Sultan, a 28 km ao nordeste de Jerusalém, perto do Mar Morto. Mas as primeiras escavações realizaram-se entre 1908 e 1910 por dois investigadores alemães, E. Sellin y C. Watzinger, com resultados muito positivos.
Vinte anos depois, entre 1930 e 1936, teve lugar a segunda campanha arqueológica, mediante una expedição inglesa dirigida por John Garstang, a qual também trouxe à luz achados de enorme importância.
Mas, as descobertas mais extraordinárias foram realizadas pela arqueóloga Kathleen Kenyon, na terceira e última campanha. Ao longo de oito anos, entre 1952 e 1959, escavou intensamente toda a zona de Jericó, até não deixar praticamente nenhuma zona importante sem remover. Graças a estas investigações, foi possível traçar quase integralmente a História da cidade de Jericó.

8 comentários:

  1. Excelente post.

    Espero que continue com assuntos esclarecedores e que tragam luz a pensamentos e conclusões, com relação a alguns fatos bíblicos, que parecem absurdos e aparentemente de fácil contestação!

    Marcus A. Barbosa

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  2. axaram as ruinas das muralhas de jericó?

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  3. Boa tarde.
    Meu prezado amigo, este artigo não esclareceu o ponto em discussão. Você começou falando de uma coisa e foi parar em outra, totalmente diferente.
    Não se está falando da inexistência de Jericó, e sim, de como as muralhas caíram.
    De forma que se puder realmente concluir o assunto, seria de bom grado!

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    1. Exatamente Pr. Luiz Antônio...começei a ler o post por causa do tema que sugeriu uma possível resposta para o questionamento levantado. Mas...

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  4. não é necessário explicar milagres! milagres não se explica, "DEUS DERRUBOU AS MURALHAS DE JERICÓ!!"

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  5. Interessante.... o que realmente deve ter acontecido é as muralhas terem cedido devido má construção e o povo aproveitado para invadir, FICO IMAGINANDO COMOUM DEUS QUE DIZ QUE É BOM PODE ORDENAR UM VERDADEIRO MASSACRE A HOMENS, MULHERES,CRIANÇAS E IDOSOS QUE APENAS QUERIAM CONTINUAR VIVOS!!! PIOR QUE ISSO SÃO AS PESSOAS QUE EXALTAM ISSO COMO SE GENOCIDEO FOSSE ALGO BOM!!!!! MESMO QUE ALGUNS FOSSEM OS PIORES PECADORES TE PEÇO PAERA REFLETIR: QUAL A CULPA DAS CRIANÇAS DE COLO E DAS QUE ESTAVAM NA BARRIGA DA MÃE PARA SEREM MORTAS ?????????????????????????

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  6. Maurício, boa noite.
    Eu posso compreender o seu questionamento. Nem sequer vou tentar explicar. Permita no entanto, que lhe faça uma pergunta: Quem tem direito a Julgar?

    Rose, as minhas desculpas não ter respondido logo. Sim as muralhas estão lá, ou melhor, os fundamentos destas tem sido escavados. Eu estive lá, o que posso dizer é simples, o que a Bíblia fala a Arqueologia confirma. Fiquem com Deus.

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