


A palavra aparece no antigo ostracon hebraico de Laquis (chamado Cartas de Laquis) como Lksh; nas Cartas de Amarna, surge como Lakisha e Lakisi e em inscrições assírias como Lakisu. Uma antiga cidade fortificada cananeia. A cidade é mencionada pela primeira vez em textos cuneiformes de Ebla, no período pré-patriarcal. Passou a ser controlada pelos egípcios provavelmente no tempo de Thutmose III mas revoltou-se durante o período Amarna, tal como mostram as Cartas

A cidade foi primeiramente identificada com Tell el-Hezi, 24 km a este-nordeste de Gaza, o local onde os actuais métodos científicos de escavação foram inicialmente utilizados em 1890, quando Flinders Petrie desenvolveu, no decurso das suas escavações, a ciência da cronologia da cerâmica palestiniana, i.e., uma ciência através da qual a idade relativa das ruínas poderá ser determinada através do estilo de cerâmica nelas encontrada. Mais tarde reconheceu-se que Tell el-Hezi não poderia ser Laquis e Albright identificou Laquis com Tell ed-Duweir, 12 km a nordeste do antigo local. Em 1935, provou-se ser correcta esta identificação, quando se descobriram nas ruínas da cidade uns documentos escritos e que foram apelidados de Cartas de Laquis. Estes documentos mencionam Laquis aparentemente como sendo o local para o qual as cartas foram dirigidas.
As escavações de Tell ed-Duweir foram levadas a cabo entre 1933 e 1938 pela Expedição de Investigação Arqueológica Wellcome-Manston, do Próximo Oriente, sob a direcção de J. L. Starkey, que morreu precocemente, assassinado em Janeiro de 1938. Depois que a época das escavações terminou, sob a direcção de O. Tufnel, as obras estiveram paradas durante cerca de trinta anos. As escavações mostraram que o local fora habitado já no início da Idade do Bronze, muito antes do tempo de Abraão. Durante os meados da Idade do Bronze (início do 2º milénio AC), foi erigida uma muralha dupla, à qual se acrescentou um fosso construído por um povo que os arqueólogos identificaram com os Hiksos. Após a expulsão dos Hiksos, a cidade passou a ser dominada pelos egípcios. É desta altura um templo cujas ruínas ainda continham muitos objectos de culto. Durante o período israelita, representado pelos níveis IV-III, a cidade foi cercada por uma nova muralha dupla construída por Roboão. A cidade do nível III foi destruída por Senaqueribe da Assíria. É desta altura um túmulo que continha os restos mortais de 1500 pessoas numa amálgama de ossos. Foi sugerido que este depósito representava um espaço aberto na cidade, após a captura levada a cabo por Senaqueribe e esta explicação parece plausível. Após a destruição da cidade, esta foi reconstruída (nível II) e novamente destruída, desta vez por Nabucodonosor. O nível I, que data do período persa pós-exílio, pôs a descoberto a mansão de um alto oficial e aparentemente um edifício de culto dedicado à adoração de Ahura-Mazda, indicações de que, na cidade, poderá ter estado estacionada uma guarnição persa.
Entre os objectos descobertos durante as escavações encontram-se algumas inscrições muito valiosas. Estas inscrições podem ser classificadas em duas categorias: 1) objectos inscritos pertencentes ao início do período da história da escrita alfabética e 2) objectos inscritos pertencentes ao período clássico dos antigos hebreus. A primeira é representada por uma adaga, uma tigela e um jarro para água inscritos em ortografia proto-semítica (ou sinaitica). Este tipo de ortografia, na sua forma semi-pictorial ou hieroglífica, foi o percursos da escrita semítica (conhecida através da Pedra Moabita) e de outras inscrições pré-exílio. Estes objectos foram datados, através do seu contexto arqueológico, como pertencendo ao período que se situa entre os séculos XVI e XIII AC, dando-nos, assim, uma ideia de como apareceu a escrita alfabética no tempo de Moisés e no período dos juízes. A segunda classe de objectos inscritos é representada pelas Cartas de Laquis.
Entre outro material inscripcional de Laquis encontrava-se a impressão do selo de Gedalias, que Nabucodonosor colocou como maioral sobre os que tinham ficado em Jerusalém, sendo, portanto, governador de Judá após a destruição desta cidade (2Rs 25:22-25). Outra descoberta interessante foi a inscrição, feita numa das pedra das escadas da mansão persa, das cinco primeiras letras do alfabeto hebraico. Isto indica que a sequência das letras do alfabeto hebraico era a mesma tanto no século V AC, como o é agora. Esta conclusão foi confirmada por descobertas posteriores, em Ras Shamra, do alfabeto ugarítico completo utilizado no século XIV AC. Foi também confirmada por um ostracon encontrado em ’Izbet Sartah, provavelmente a localização da antiga Ebenezer, onde fora escrito, por volta de 1200 AC, o alfabeto hebraico desde ’Aleph até Tau.
Em 1966, foram retomadas as escavações em Laquis. Foram levadas a cabo por Aharoni, da Universidade de Tel Aviv que, em duas épocas - 1966 e 1968 -, escavou o templo israelita já mencionado. Entre os muitos objectos encontrados na estrutura pertencente ao século VII AC descobriu-se um ostracon de dez linhas e um conjunto de cântaros contendo dezassete bullae, pequenos pedaços de barro onde se viam algumas impressões de selos. Representavam uma colecção antiga de bullae tirados de papiros, aos quais estavam ligados em forma de selos legais. Os nomes mencionados são nomes tipicamente judeus e estão ligados ao final do reino de Judá, tais como Jeremias, Eliasibe, Jorão, Joel e Naum.
Em 1973, David Ussishkin, da Universidade de Tel Aviv, deu início a um programa de escavações anuais que clarificaram vários pontos controversos e que a morte prematura de Starkey deixara por resolver. Por exemplo, é agora certo que a destruição da cidade do nível II foi levada a cabo pelas forças de Senaqueribe.
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