Os primeiros Assírios conhecidos datam do tempo da primeira dinastia babilónica, mas só mil anos mais tarde começaram a adquirir uma força internacional. Eles conheciam a escrita cuneiforme e herdaram a cultura suméria e babilónica, mas é sobretudo a sua crueldade excepcional que dá origem à sua reputação. Uma escultura conhecida mostra um rei a comer copiosamente para festejar a sua vitória numa batalha importante, rodeado pela cabeças dos reis vencidos penduradas em árvores e oscilando ao vento. Os palácios assírios eram ornamentados com baixos-relevos representando os exércitos assírios a atacar. Neles podem ver-se os defensores das cidades sitiadas em completa miséria; fugitivos escapavam pelos portões da cidade quando esta estava em chamas. Os prisioneiros eram empalados no alto de colinas: eram espetados em paus pontiagudos que trespassavam todo o seu corpo. Se nenhum órgão vital fosse atingido, eram simplesmente abandonados até morrerem de fraqueza. Foi provavelmente este o instrumento de tortura que Haman mandou construir para Mardoqueu (livro de Ester). Não é pois de admirar que Judá e Israel estivessem aterrorizados perante o poder assírio. Algumas descobertas arqueológicas mostram-nos como estes reinos se preparavam para uma invasão assíria.
1. Passagem do profeta Jonas por Ninive.
Neste contexto, o grande receio do profeta Jonas de se deslocar a Nínive, capital da Assíria, torna-se fácil de compreender. Na sua imaginação, ele já se via provavelmente encarcerado numa jaula com leões. Não era possível sair-se ileso quando alguém se deslocava à capital do império mais poderoso e mais cruel do mundo para formular algumas críticas!
2. Uma nova prática: a deportação.

As esculturas monumentais nos palácios e nos templos assírios ajudam-nos a compreender melhor o que são os querubins da Bíblia. Nós não sabemos qual o aspecto dos querubins celestes. As representações assírias tinham, quanto a elas, sempre as mesmas características: um corpo de leão ou de touro, asas de águia e cabeça humana. A sua função era proteger o acesso à sala do trono e aos locais sagrados. Elas estavam lá para inspirar respeito e temor ao visitante. Os querubins da Bíblia parecem ter funções semelhantes. Eles estavam lá para guardar o acesso ao Jardim do Éden (com espadas flamejantes aterradoras). Podiam ver-se sobre os muros do templo de Salomão onde deviam inspirar respeito aos sacerdotes de serviço. Da mesma forma, o objecto mais sagrado do templo, a arca da aliança, era guardado por dois querubins.